Sobre mim
Sou chata. Ta aí uma verdade que ninguém pode negar. Sou chata com C maiúsculo mesmo, que não é para ter duvida nenhuma. Tenho manias chatas que você odiaria só de ouvir, como de olhar sempre nos olhos e de nunca, nunquinha mesmo, atravessar sem olhar para os dois lados. Acho o amor uma coisa piegas e antiguada que eu adoraria entender e sentir na mesma intensidade. Por enquanto, só sinto. E sinto muito, mesmo, por todos aqueles que citam Clarice e nunca lerem A hora da Estrela. Sou chata e irônica com toda e qualquer ignorância que me entedia. Sou chata com meus livros queridos e com o que eu como diariamente. Como de tudo, mas na hora que me dá vontade. Quase não tomo água e tenho um ódio eterno por qualquer pessoa que me aborde com discurso de geração saúde. Geração saúde o caralho, eu quero mesmo é batata frita com refrigerante. Gosto de tudo certinho e simples e sou realmente chata com isso. Coitado de quem faz trabalho da faculdade comigo. Pobre de quem inventa de gostar de mim. Nem imagina a quantidade de chatice e teimosia que há em mim. Montanhas e montanhas de resistência à certas mudanças que todo mundo já aderiu. Aplicativo que fala o lugar que você está? Rede social para marcar todas os episódios de séries que você viu? Me poupe de todo esse tédio virtual. Eu gosto mesmo é de conversar pelo telefone,de ouvir a voz da pessoa, nada dessa coisa impessoal de escrever em uma janelinha no facebook. Hahahaha e kkkkkk me irritam além do limite possível. Fazendinhas e meus calendários da vida também. Quer saber? Acho essas redes sociais as coisas mais chatas da internet. Exposição alheia é chata. Atropelamento de informações é chato. Quotes falsos são chatos. A internet é very chata. Inglês no meio de textos em português é chato. One direction é chato. Justin Bieber é chato. Esperar alguém ligar é chato. Não sabe o que falar para alguém que você ama é chato. Ponto de ônibus é chato. Homens são chatos (quase todos). Até este texto é chato. Porque eu sou chata e gente chata acha tudo muito muito chato.E eu, por mais que soe clichê e tati bernardismo, gosto de toda essa minha chatice. Porque é ela que me define e me mantém de cabeça erguida, quando tudo parece desmoronar e cair na minha frente. É a minha chatice de galocha que me faz ser essa pessoa que pensa sobre tudo e escreve sobre nada. Sou todo o meu recalque e toda a minha censura. E eu sou inteiramente chata e feliz com isso. Toma essa, Freud.